sábado, 5 de dezembro de 2009

De repente

"EU NÃO SEI" ela gritou, estava brava, furiosa, seu rosto branco como porcelana estava marcado por pontos febris, distorcido por uma fúria indescritível. Ela não podia parar, estava no meio do bosque agora, correndo sem perceber onde ia ou que caminho tomava, apenas corria o mais rápido que conseguia e gritava com a escuridão, como se assim a resposta viesse. O bosque estava sombrio demais, frio demais, fios de luz da lua cheia filtrados pela folhagem da copa das árvores formavam sombras macabras e assustadoras e o barulhinho eterno do pequeno riacho pedregoso parecia mais alto que nunca, mas ela estava cega e surda a tudo isso... não conseguia ser racional, queria acreditar na sua verdade, "QUAL O MEU PROBLEMA?", gritou novamente diante de uma árvore imensa e de folhas igualmente grandes já meio douradas pelo clima frio que fazia à algumas semanas. Bruscamente ela parou e com uma sensibilidade incomum percebeu o silêncio que machucava seus ouvidos, ela correu tanto para dentro do bosque que nem o riacho era localizável, eram só trevas, se sentou no chão frio e nú da floresta e encostou sua cabeça num tronco, feliz por estar no escuro, feliz por estar sozinha e em silêncio, achou que só assim poderia ouvir seus pensamentos, descobrir o que realmente queria, o que realmente lhe faltava. Ela sabia que queria coisas impossíveis, que o que esperava não podia ser encontrado em ninguém, ela lutava contra isso, mais de uma vez tentou, como ela poderia entender, como ela poderia viver assim, agora mais que nunca precisava de um sentido, precisava de ajuda, será possível que ninguém no mundo seria capaz de compreender seu modo de pensar, sua necessidade de não fazer parte de um mundo totalmente real, será que para sempre, somente histórias, desenhos e lugares imaginários seriam seus companheiros de alma, ninguém nunca penetraria tão fundo em suas defesas, em seus pensamentos, será que ela realmente era normal, fazia parte deste mundo tão estranho, tão defeituoso, ou será que o real defeito estava nela, nela por não conseguir viver sem seu mundo de sonhos, nela por se sentir à vontade num mundo surreal que ninguem realmente conhecia, ninguem realmente conseguiu entrar, será que era tão errado, tão louco, será que nada no mundo real traria para ela uma satisfação tão grande, um conforto tão completo para que sua própria vida se igualasse a seus devaneios tão mirabolantes que ela nem precisasse mais deles. um riso alto quebrou o silêncio, frio, sem nenhum humor, sarcástico, infeliz e de repente nada mais importava, a raiva que a pouco tornava difícil o raciocinio se foi, e veio o nada, o vazio.... agora ela sabia que seria sempre assim, sempre assim...

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